Criado
mudo
Gavetas cerradas
– secretas
De cinzas e
prantos
Chaminés soprando
fumaça de saudade
Cômodos em
silêncio – noites eternas
Acordar todos os
dias e enterrar somente no peito –
Os nossos
mortos.
Ditadores,
exércitos do medo
Nunca mais meu
filho, o teu rosto, o teu cheiro
Só a dor, parada
nos espelhos
Fitando-nos de
soslaio
– Quantas
vezes eu morrerei, até descobrir
Onde enterraram o
teu corpo
Que foi feito dos
teus ossos, das tuas mãos
Dos sonhos
envoltos em teus dedos?
Onde jaz teu
sono, teus olhos –
Meu desespero:
nunca pude acender uma vela no teu túmulo
Nunca sepultei o
teu corpo, meu amor!
Perdoa-os!
– Perdoa-nos, a pátria amada
Que te
esqueceu.
Josi Braga